segunda-feira, 27 de setembro de 2010



Eu acho que eu te amo.
Pela primeira vez amo tanatomicamente. E confesso: está sendo deliciosa essa idéia de viver para morrer de te amar. Pensar em ti é princípio de morte, o coração dispara e para. Morro por uns segundos - e é delicioso morrer -, e renasço para morrer na próxima promessa de pensamento.
É bom amar tanatomicamente.
Tanatomicamente é quando a gente morre enquanto ama. É autofagia com prazer.
Essa palavra ainda não existe, vem de Tânatos que para os gregos era a personificação da morte. Que nem eroticamente que vem de Eros. Mas, por infelicidade, ainda não existe a palavra tanatomicamente. Como faço para registrar uma palavra? Preciso morrer pra sempre de amor tanatômico para que entendam que ele existe? Quando eu morrer e não consegui voltar quero que digam: morreu tanatomicamente. Publiquem no jornal: morreu vítima de amor tanatômico.
Assim, quando alguém sentir isso, vai ter uma palavra só dela...
Oh Deus, lá vem de novo. Você. O amor. A morte. O Deus. Eu. Nessa seqüência e sem prejuízo da simultaneidade. Pra você vê meu bem, vivo por te amar e me matando nas fatias do tempo.
E isso é só porque eu acho que te amo...