quarta-feira, 30 de março de 2011


Ela não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos. Ela não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ela não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Ela não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ela não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ela não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ela nem imagina que foi ela quem me ensinou esta alegria.