terça-feira, 24 de maio de 2011


Talvez se eu não tivesse tanto medo de te perder assim, enquanto ainda é noite, porque o outro dia é sempre um outro dia. Talvez se eu não sentisse saudade de você quando você diz “Vou ali na esquina” e eu escuto “Vou ali em Chicago e não sei quando volto”. Se eu não te quisesse tanto só pra mim. Se eu não precisasse tanto dessa tua voz rouca que eu gravei naquela manhã. Talvez se eu não gostasse tanto desse seu ciúme bobo e desse teu carinho de leve na curva da pele. Talvez se você não tivesse tanta confiança assim, que eu sou sua e me achasse como o resto do mundo: intimidante-criança-assustada. Se você tivesse medo, mesmo que um pouco, talvez eu não tivesse tanto medo de você assim. Eu seguro na tua mão enquanto você dirige e nem olho para estrada porque eu confio, quero confiar mais, em você. Talvez se eu não te quisesse tanto, você iria me querer mais. Talvez se eu gostasse menos desse teu jeito forte, desse teu jeito corajoso de insistir em alguém tão doida, você gostasse um pouco mais de mim e ficasse, talvez, daquele nosso jeito que ninguém acredita, mas que espera muito: Para sempre.