sábado, 26 de novembro de 2011


”Ando bem nostálgico. Larguei o emprego a poucos dias. Penso em viajar, recomeçar tudo sem você. Talvez consiga, ser de novo, enfim feliz! Me distanciei das pessoas, ando bastante solitário. Não faço barba, sempre mancho a camisa de café. Voltei a fumar também! As vezes bebo, nesses domingos monótonos, deito no chão e me sufoco de tédio, nostalgias, saudades e porres. Não sei se consigo continuar. Tá bem difícil! A propósito, eu morri ontem… Por dentro. Apodreci, congelei, sequei de vez. Como de costume, fui aquele lugar que tomávamos café, quer dizer, onde eu comprava o café pra te levar na cama e te acordar aos beijos. Passei em frente a uma loja de televisivos também, por incrível que pareça, nosso filme estava passando em todas as telas. Ignorei. Doía! Passei a frente da livraria, e vi aquele seu livro; favorito, até, aquele que você tentava me convencer a ler quando nos conhecemos e ficava me contando a história… Comprei ele! Não sei, talvez me fizesse mais próximo de você mesmo depois de tudo que aconteceu. Vi casais apaixonados, e sentia inveja. Lembrava de como éramos. Vi crianças e lembrei dos nomes que tentávamos escolher antes de dormir, via idosos e lembrava dos nossos ‘para sempres…’ Do tempo que ficaríamos juntos. Tudo me lembrava você! Passei em frente aquela praça também, cujo banco fica no topo e dá pra ver toda a cidade. Aquela que você sempre me pedia meia hora que já ia chegar e demorava algumas horas se arrumando pra tentar me surpreender! Mal sabia que ficava linda de qualquer forma pra mim. O dia queria me dizer alguma coisa, tinha perdido a noção de tempo, desde que aquilo aconteceu. Não estou dentro de mim, alias, cheguei e olhei o calendário: Dia 27 de julho! Naquele dia, completavam-se cinco anos após sua morte. Ontem,alias! Eu…Encarei o calendário e não quis acreditar. Pela primeira vez, cai em mim que tinha te perdido, mesmo nos amando. Não gosto dessa ideia! Faziam cinco anos, e eu ainda te amava, você ainda era tudo pra mim…
Eu disse que seria pra sempre, não é? Pois então; Te encontro em meia hora?“