segunda-feira, 26 de janeiro de 2015


Então todos os dias alguém me perguntava o que havia acontecido. Pois o que aconteceu, meu bem, foi simples: eu matei a flor. Na minha ânsia de cuidado, afoguei a pobre. Era mais do que ela podia suportar, eu sei, e nunca fiz por mal. O meu amor era tão grande que transbordou, superconcentrou, e murchou cada pétala. Porque a gente nunca espera que a intensidade maltrate; a gente espera que o carinho floresça em cores fortes, em ramos verdes e firmes. E o que aconteceu foi que, meu bem, tudo murchou nas minhas mãos molhadas. Porque nem toda espécie se adapta às chuvas constantes e à terra úmida. E certas coisas a gente só entende quando se dá por perder. Os cactos gostam de solo seco e fim.

Rio-doce