terça-feira, 28 de julho de 2015


Por exemplo, ocorreu-me de repente a estranha consideração de que, se eu vivesse na lua, ou em Marte, e lá cometesse o ato mais canalha e mais desonesto que se possa imaginar, e lá fosse achincalhado e desonrado como só se pode sentir e imaginar às vezes dormindo, num pesadelo, e se, vindo parar depois na terra, eu continuasse a ter consciência do que cometi no outro planeta e, além disso, soubesse que nunca mais, de jeito nenhum, voltaria para lá, então, olhando a lua da terra – tudo me seria indiferente ou não?

Fiódor Dostoiévski