sexta-feira, 4 de setembro de 2015


“Tira a maquiagem pra que eu possa ver aquilo que você se esforça pra esconder. Agora somos só nós dois, já podes parar de fingir. Mas cala essa boca, e me diz com o olhar quem era você até me encontrar, se agora és diferente. O que eu fiz que te fez mudar? Eu lembro dos lábios tremendo ao dizer, eu não vivo sem você… Então diga que não vai sair da minha vida, diga que não passa de mentira quando dizem que o amor morreu. Tira essa roupa pra que eu possa ver se não há uma arma, tentando se esconder o mal vive num lar perfeito e sem infiltração. Tira o cabelo da cara e me diz, se por um segundo quiseste me ver feliz ou se és o meu destino tentando me dar outra lição. Eu lembro de serrar os punhos pra dizer eu não amo mais você… Então diga que não volta mais pra minha vida, que a nossa estrada é bipartida, esquece o dia em que me conheceu. Então diga que nem todo dinheiro dessa vida não vai comprar de volta. Acolhida no peito de quem já foi todo seu. A casa é minha, mas pode ficar. Eu volto amanhã, e não quero mais te enxergar, faça suas malas e nunca mais volte aqui. Eu juro pela vida, da mãe, do pai, ciente do peso da expressão “nunca mais”. Volte a oferecer teu corpo a quem preferir viver ao lado de quem não tem nada pra dizer. Confesse pra mim de uma vez, mas diga que nunca foi feliz nessa tua vida. Teu texto, teu sorriso de mentira, pode enganar a todos, não a mim. Então diga que essa mão que acena na partida por tantos idiotas, pretendida é a mesma que decreta o nosso fim. Assisto a teus passos, como a um balé, quem vais usurpar agora é que ninguém te quer. A verdade demora mas chega sempre sem avisar. E o grito contido no teu travesseiro ecoa nos lares do mundo inteiro, não tira esse rímel, pois hoje eu quero vê-lo borrar.”

Fresno