domingo, 26 de setembro de 2010


você me provoca. me irrita. me cutuca com a ponta do pedaço de pau.
com o galho quebrado. você me perturba. joga água e sai correndo.
atira a pedra e me acerta de raspão. me espia no escuro e mostra a língua.
me xinga. me atiça. invade o meu sossego. meu refúgio.
pisa no meu ninho com os sapatos sujos. na minha toca.
sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca.
achando que não há perigo.
sem conhecer a força da minha mordida. o tamanho dos caninos.
você me provoca, sem esperar a picada. sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno.

(Caio F. Abreu)