sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Hoje eu pensei em você.
Mas foi tão provisório e passageiro que eu decidi que não iria comentar, pensar ou até mesmo escrever sobre isso, para não ter o perigo de eternizá-lo. Afinal, esse não-pensamento só iria ganhar importância e não se deve dar tanta importância a algo provisório e passageiro, porque se fosse para ser importante seria firme e continuo e sobre isso todos tem bem certeza. Assim, pensei em você como quem pensa em nada, para ficar mais tranqüila  e poder conseguir respirar. Pensei em você como quem pensa no céu ou no lápis ou uma fruta, um pensamento sem motivo, sem ânsia, sem muita habilidade, pensei quase que sem saber como pensava, e assim fiquei tranqüila. Para falar a verdade, toda vez que levanto e vejo pela janela a rua da tua casa, hoje morta, antes amiga dos meus pés, toda, toda vez que levanto e vejo: eu penso em você. Não no você-meu, mas no você-eu, que iluminava as outras manhãs em que eu levantava e estirava o braço ao lado, tocando no teu. Quando o barulho do caminhão e dos caminhoneiros eram piadas e especulações, quando os postes eram estrelas e o único coração preocupado era o de Caetano que tocava no rádio.  Naquela época eu pensava em você bem mais que hoje e o pensamento, mal sabia, era provisório e passageiro. Devido a minha ignorância, eu buscava o tal pensamento em todo lugar e era engraçado: quando você busca muito uma coisa, ela acaba por vir.  E veio, vinha, vem, como nessas manhãs que eu levanto e vejo a tua rua.
Pra falar a verdade mesmo, a hora do dia não importa. Toda vez que vejo pela janela, seja manhã tarde noite madrugada, eu penso em você. E tento me convencer que isso é provisório e passageiro e como tudo provisório e passageiro uma hora acaba. Porém,  cada vez vou me convencendo mais, 


as vezes, o provisório não passa nunca.